29.2.16

Crespo dos sonhos

 Ressolvi fazer o BC (grande corte em brasileiro, ou seja, cortar toda parte alisada do cabelo), mas pelo que eu vi, as pessoas pensam que fiz isso porque me empoderei e quero inspirar outras meninas a fazerem o mesmo, mas então esse não foi meu motivo. Eu cortei porque eu sempre quis ter cabelo rosa, mas mãezinha e eu entramos num consenso que relaxamento e coloração iam destruir meu cabelo, daí surgiu a ideia de colocar tranças, só que tive colocar primeiro preto com umas mechas roxas, porque minha disse para chocar aos poucos. Enfim, gostei tanto que quero fazer mais vezes, mas não posso ficar com tranças direito, tem que dar um intervalo. Então cheguei na Fernanda e falei pra ela cortar e foi por isso que fiz o famigerado BC. 

É importante pensar no recorte de classe quando se pensa em estética. Quem eu quero empodeirar fazendo BC?  É a negra faxineira de 40 anos desempregada ou a adolescente negra que mora num bairro nobre? É a negra da favela que é ensinada desde de cedo que seu cabelo natural é feio e que caso não se adeque aos padrões, será mais excluída que o normal ou é a adolescente negra com acesso a internet que é filha de trabalhadores, mas está na faculdade com as amigas todas empoderadas? E mesmo se todas/os negros e negras tivessem  percebido que seus crespos são lindos e nunca mais ninguém alisasse, que mudanças estruturais isso teria? A população negra continuaria sendo morta. Quanto a questão de autoestima eu não sei, já que o cabelo com cachos mais definidos são os mais aceitos, quem tem crespo sem definição continua se fodendo e tem que fazer fitação todo dia.

Aliás, eu já descobri que não tenho paciência de fazer fitação ( que é um método para o crespo acordar cacheado, tem que pegar mecha por mecha e enrolar ou trançar antes de dormir para no outro dia acordar todo definido) , por isso não sei como fica a questão de aceitação caso a pessoa fique bitolada no cacho perfeito.


Quanto a questão de ser mais barato eu também tenho minhas divergências, pois é claro que o capitalismo já cuidou de vender essa ideia também né? Eu fui à perfumaria e já encontrei uma prateleira inteira de produtos para quem quer assumir o crespão.




Taís Araújo e seu cabelo de crespo definido e, mesmo assim, não ela não deixou de sofrer racismo.




6 comentários:

  1. Ualll amiga, que coragem heim?!
    Adoro ver quem tem essa força de vontade de fazer o BC, vai lá e mandar ver na tesoura!!! rsrs
    Parabéns, sucesso e beijasso.

    www.carolyamato.blogspot.com

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  2. Demorei para conseguir entender meu cabelo kk foram muitos cremes e técnicas diferentes, eu tinha muita vergonha do meu cabelo solto, por que ele era muito armado mas agora sei como cuidar dele e não está mais com muito volume. ta lindo ..

    http://melissamorei.blogspot.com.br/
    Gostei do post! Beijos *-*

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  3. Adorei! Que essa iniciativa possa inspirar muitas meninas ❤
    Beijos!

    blogdaydreaming.blogspot.com.br

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